Projeto SETI@home





Tudo começou em 1998, nos Estados Unidos. Naquela ocasião, David Anderson e Dan Werthimer, da Universidade da Califórnia em Berkeley, queriam desenvolver um software livre, que após instalado em computadores domésticos do mundo inteiro conectados a Internet agiria como o maior supercomputador virtual da Terra. O objetivo? Processar as "toneladas" de dados colhidos diariamente por antenas que buscavam sinais vida inteligente fora da Terra. Um tanto bizarro. E sem dúvida alguma muito audacioso.

Mas sem dúvida o tipo de coisa que a Planetary Society poderia se interessar.


A "máquina virtual" analisaria dados coletados pelo Projeto SERENDIP (Search for Extraterrestrial Radio Emissions from Nearby Developed Intelligent Populations, busca por emissões de rádio extraterrestres de populações inteligentes próximas), através do receptor montado no rádio telescópio de Arecibo, em Porto Rico, a maior antena da Terra. A principal preocupação do projeto seria envolver as pessoas ao redor do mundo em uma das experiências mais excitantes já empreendidas: a procura de inteligência extraterrestre (SEarch for Extraterrestrial Intelligence).

A maior dificuldade no início foi o velho conhecido dinheiro. Não era nada fácil conseguir fundos para tal empreitada. O grupo de trabalho então formado recebeu pequenas doações e algum equipamente computacional da Sun Microsystems, mas o dinheiro para lançar o programa não estava lá. Afinal, não haveria nenhum retorno financeiro. E havia dúvidas sobre como funcionaria um software deste tipo, nunca antes testado. Em todos os sentidos era um empreendimento arriscado. A idéia do SETI@home (SETI at home, ou SETI em casa), como o projeto foi chamado, surgiu em 1996 com o cientista da computação David Gedye, junto com Craig Kasnoff e o astrônomo Woody Sullivan.

Quando Ann Druyan, a esposa de Carl Sagan, tomou conhecimento da idéia logo pensou na Carl Sagan Fundation for the future. Após a morte de Sagan, em 1996, sócios da Planetary Society haviam criado essa fundação com o propósito de prover recursos financeiros para projetos que cumprissem a visão de Sagan em permitir a todo o mundo participar da aventura da exploração planetária e da procura para vida extraterrestre. "Esse projeto", declarou Druyan, "é exatamente o tipo de coisa o Carl teria apoiado inteiramente". E assim, a Planetary Society doou U$ 50 mil como orçamento inicial.

A Sociedade já havia sido decisiva antes, agindo de forma a impedir que uma decisão política arbitrária extinguísse de uma só vez o projeto SETI. Com seu apoio, a meta de usar a Internet para analisar as vastas quantidades de dados do Projeto SERENDIP se tornou realidade. Era esperado uma participação de cerca de 100.000 pessoas. Hoje são mais de três milhões!

Com o passar do tempo, houve um debate dentro da comunidade do SETI sobre qual a melhor forma de comunicação galáctica: sinais de rádio ou comunicação a laser. A maioria dos astrônomos concordava que o rádio era o modo mais fácil e barato para se comunicar na vastidão do espaço entre estrelas distantes. Mas alguns cientistas sentiam que a tecnologia laser era um meio melhor. Agora os pesquisadores estão utilizando ambos os métodos. A Planetary Society, junto com o Instituto SETI, está apoiando projetos baseados em luz de Harvard e Berkeley. Telescópios ópticos procuram por flashes de luz concentrada pura, de natureza distinta da emitida por uma estrela.

A visão de Carl Sagan expressa o nosso sentimento por trás dessa empretiada: "a busca pela inteligência extraterrestre é uma busca por um contexto cósmico de toda a humanidade, uma busca por quem somos, de onde viemos e quais as possibilidades para o nosso futuro — num universo ainda mais vasto no tempo e espaço do que os nossos antepassados jamais sonharam".

A Planetary Society continuará com essa visão, e precisa do seu apoio. Junte-se a nós.
 


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