Tributo à Galileo


Texto de Charlene Anderson

A historia da nave espacial Galileo, como aquela de seu homônimo, é cheia de sucesso e adversidade. Talvez só quando um herói ou, como neste caso, a equipe que construiu e voou a espaçonave supera grandes obstáculos podemos verdadeiramente apreciar o seu valor.

Os testes da Galileo começaram cedo, quando problemas com o ônibus espacial e a plataforma superior necessária para levar a espaçonave para a órbita terrestre mantiveram a Galileo em terra por muitos anos. Quando foi finalmente lançada em 18 de outubro de 1989, seguiu uma longa rota espiralada através do sistema solar interno, passando uma vez por Vênus e duas vezes pela Terra até obter suficiente momento para se lançar para Júpiter. Esta dramática rota fez a Galileo passar por planetas, luas e asteróides cuja exploração não tinha sido planejada – e deu-lhe a oportunidade de realizar descobertas inesperadas.

Por duas vezes a Galileo passou através do cinturão de asteróides. A primeira vez, ela realizou as primeiras observações de um asteróide de perto: Gaspra. Na segunda passagem, voou sobre Ida e descobriu que este asteróide possuía uma lua, atualmente chamada Dactyl. Em 1994, ainda um ano antes de chegar em Júpiter, a Galileo esteve em posição de observar como os fragmentos do cometa Shoemaker-Levy 9 chocaram-se com o planeta.

Em 7 de dezembro de 1995 a Galileo alcançou Júpiter e sua sonda entrou na conturbada atmosfera do gigante. A sonda sobreviveu por uma hora, transmitindo dados constantemente até ser esmagada pela tremenda pressão dentro do mais maciço planeta de nosso sistema solar.

A sonda entrou numa região do céu inusitadamente seca e não encontrou quase nenhuma das nuvens de água e amoníaco que os cientistas esperavam medir. No entanto seus dados eram intrigantes e incluíram indicações de que no nas profundezas desse mundo gasoso uma chuva de hélio cai através de céus de hidrogênio.

Todavia, nesta historia da Galileo, o rei dos planetas foi superado por uma das luas de seu séqüito. Europa revelou-se um dos mais espantosos objetos jamais visitados por uma espaçonave – e o mundo de nosso sistema solar com a maior possibilidade de nutrir vida. Dados de uma combinação de experimentos de Galileo reforçaram a hipótese de que um oceano de água jaz debaixo da crosta gelada de Europa. As câmeras da Galileo enviaram surpreendentes imagens mostrando jangadas de gelo flutuando sobre o mar congelado, enquanto o espectrômetro detectou sais colorindo a face trincada da lua.

 
Um conjunto normal de instrumentos de uma espaçonave contem ainda um magnetômetro, que usualmente também atua como suporte das câmeras. Na Galileo, o magnetômetro foi a "estrela". Ele detectou um campo magnético substancial em torno de Europa, que os cientistas esperariam se um oceano de água salgada, condutora, fluísse sob uma superfície sólida.

Surpreendentemente a Galileo também encontrou campos magnéticos em torno das luas Ganimedes e Calisto, sugerindo que estes corpos rochosos gelados também podem ocultar camadas fluidas nas profundezas de suas crostas. E Io, sozinha entre as luas galileanas, não possui um campo magnético, mas seus vulcões exuberantes de rocha fundida "vomitada", garantem que este pequeno corpo teve um papel proeminente nesta saga.
 


Conheça outras descobertas da Galileo:
• Gelileo Official Homepage



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