A grande jornada

Uma situação favorável, em que os planetas gigantes (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno) ficam quase alinhados, era tudo o que a NASA precisava para preparar uma das mais fascinantes missões automáticas da história da Astronáutica. As naves Voyager (Viajante) 1 e 2 foram lançadas no ano de 1977.

O plano de vôo da Voyager 1 lhe permitiu uma rota mais curta até Júpiter, e assim ela foi lançada em setembro, enquanto a Voyager 2 foi lançada no mês anterior, há exatos 25 anos.

Ambas pesam 825 kg e caberiam num grande salão. Levavam diversos instrumentos científicos, as câmeras fotográficas e de TV. A energia para fazê-las funcionar não poderia vir de painéis solares, pois as Voyager iriam operar a bilhões de quilômetros do Sol.

Assim, um gerador especial transformava a desintegração radiativa de uma pílula de Plutônio em energia elétrica para seus três computadores de bordo e demais instrumentos.

 

Instrumentos da Voyager

 

A Voyager 1 chegou a somente 206 mil km do topo das nuvens de Júpiter: menos que a distância Terra-Lua. Foi graças a ela que ficamos sabendo que a Grande Mancha Vermelha é um enorme furacão girando no sentido anti-horário, seguido por inúmeras tempestades menores.

A Voyager 2 chegou a somente 41 mil km de Saturno e sobrevoou também Urano e Netuno, quando este planeta era o planeta mais afastado do Sol, condição em que permaneceu até o início de 1999. As naves continuam a ser monitoradas e enviarão sinais para a Terra por mais 20 ou 30 anos.

Neste instante, a Voyager 1 está a mais de doze bilhões e quinhentos mil quilômetros da Terra e viajando a mais de 20 km/s, enquanto sua irmã está prestes a atingir os dez bilhões de quilômetros, viajando a mais de 36 km/s. Elas agora integram o projeto “Missão Voyager Interestelar”.

Disco dourado da Voyager

Disco dourado da Voyager

Cada espaçonave leva um disco fonográfico de cobre banhado a ouro, dentro de um invólucro dourado com instruções sobre como reproduzi-lo (foto à direita).

Nele estão gravadas diversas imagens em formato analógico, saudações em vários idiomas, sons de animais e diversos estilos musicais, além de informações sobre nossos genes.

Durante este mês de setembro, em homenagem ao sucesso desta missão, a Planetary Society – Brasil estará realizando uma série de palestras no campus da USP de São Carlos, seguindo as comemorações que estão sendo feitas em todo o mundo pelos 25 anos da Voyager. ■

Na mídia:

Artigo de José Roberto de Vasconcelos Costa, publicado no Caderno de Ciência e Meio Ambiente do jornal impresso “A Tribuna”, da cidade de Santos/SP, edição de segunda-feira, 16 de setembro de 2002.

Atualização:

A Voyager 1 já ultrapassou os 18 bilhões de km da Terra, enquanto a Voyager 2 está agora a mais de 15 bilhões de km. Conheça os fatos em destaque dessa missão e também as magníficas fotos obtidas por essas naves ao passar por Júpiter, Saturno, Urano, Netuno além desse postal do Sistema Solar. Clique aqui para acessar um recurso interativo (em Flash) do Laboratório de Propulsão a Jato dos EUA, mostrando um histórico e a missão estendida das Voyager.

 

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